Biografia

Maluda #2
Foto de Augusto Cabrita, Lisboa, 1973

1934
Maria de Lourdes Ribeiro, Maluda, nasce em Goa, antigo Estado Português da Índia.

1948
Muda-se com a família para Moçambique, onde começa a pintar.

1961
Assina as suas primeiras telas, predominantemente retratos, em Moçambique. Forma, com mais quatro pintores, o grupo que se intitula “Os Independentes”, que expõe colectivamente, predominantemente retratos, em 1961, 1962 e 1963.

1963
Obtém um bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian. Viaja para Portugal onde trabalha com o mestre Roberto de Araújo em Lisboa.

1964-67
Vive em Paris, bolseira da Gulbenkian. Estuda na “Académie de la Grande Chaumière” com os mestres Jean Aujame e Michel Rodde. Mantém contactos com os artistas Arpad Szènes, Vieira da Silva, Sotto, Piaubert, Pillet, António Dacosta e Cargaleiro e com os críticos Galy-Carles, Guy Weelen, Jean Louis Ferrier, Ringstrom e José-Augusto França.
Desloca-se a Moçambique para pintar três grandes painéis destinados a um banco.

1967
Instala-se definitivamente em Lisboa.

1968
Maluda canaliza todas as suas atenções para a síntese da paisagem urbana. Pinta os primeiros óleos sobre Lisboa.

1969
Inaugura a primeira exposição individual na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa, então considerada local de grande prestígio, onde expõe vários óleos sobre Lisboa.

1970
Instala a sua casa-atelier na Rua das Praças, em Lisboa, onde viveria até à data da sua morte.

1973
Grande exposição individual na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, inaugurada por Azeredo Perdigão.

1974
Pinta um dos seus retratos mais inspirados, o de Ana Zanatti.

1975
Viaja e trabalha no Brasil. O Museu da Manchete adquire cinco obras para a sua colecção.
Pinta “Baleizão”, uma das suas obras mais poéticas.

1976-77
Recebe uma bolsa de investigação da Fundação Gulbenkian.

1977-78
Viaja e trabalha em Londres e na Suíça.

1978
Dá início à famosa série de 39 Janelas, começando com “Janela I” de Évora.
Exposição individual na Galeria Dinastia, em Lisboa e no Porto.

1978-1979
Colectiva “Panorama das Galerias”, na Galeria Nacional de Arte Moderna, Lisboa.

1979
Recebe o Prémio de pintura da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa. Realiza uma exposição na Fundação Gulbenkian em Paris. O M.N.E. adquire um quadro que o Presidente da República oferece à Bulgária.

1980
Participa nas Colectiva de Arte Contemporânea Tempo 80, Galeria do Casino Estoril e no Salão de reabertura da Galeria do Diário de Notícias, Lisboa.
Edição de tapeçarias. Encomenda de dois retratos para a Galeria dos Reitores da Universidade de Coimbra

1981
Edição do livro “Maluda” (Editions du Manoir, Lausanne, Suíça) com prefácio de Vieira da Silva e texto de Simone Frigerio. Exposição individual e lançamento do livro na Fundação Gulbenkian, Lisboa. Colectiva Antevisão do Centro de Arte Moderna. Semana do Estoril na Bahia. Pintura e Gravura Contemporânea Portuguesa em Macau. Convidada especial na colectiva de pintores portugueses residentes no Brasil, no Rio de Janeiro.
Alexandre O’Neill escreve os poemas “Persiana para Janela de Maluda (I e II)”.
Edita a primeira edição de serigrafias, de um total que viria a ser de 62, a partir do óleo “Ilhas”.

1982
Exposição Individual em Guimarães (Centenário da Sociedade Martins Sarmento) e Colectiva de Gravura na Galeria São Mamede.

1983
Colectivas de Pintura Contemporânea, Oficina da Cultura, Almada, Estoril-Décor (tapeçarias) no Casino Estoril e itinerante de gravura portuguesa da colecção do M.N.E.

1984
Pinta “Romã”, o primeiro de quatro frutos (com “Anona”, de 1986, “Kiwis” de 1988 e “Ananás” de 1993), que se imporão autonomamente no conjunto da sua obra e que Maluda manteria sempre na sua própria colecção de arte.
Faz exposições individuais em Nova Iorque, Washington e Dallas. Participa na Bienal Ibérica em Campo Maior e no Museu de Arte Contemporânea em Cáceres.

1985
Tem uma encomenda dos quatro primeiros selos para os CTT (“Quiosques de Lisboa”). Faz o retrato de Aquilino Ribeiro para a livraria Bertrand. Exposições individuais no Algarve e nas inaugurações das Galerias Bertrand em Lisboa e no Porto.

1986
Pinta “Portel”, provavelmente a sua obra mais importante, que José-Augusto França elegeria como um dos seus “100 Quadros Portugueses do Século XX” (Quetzal, 2001), considerando que “este quadro atinge um carácter icónico, matriz última de uma pintura urbana” e que se “impõe como realidade plástica autónoma”.
Encomendas do cartaz do Festival Internacional de Música do Algarve e também de retratos para as Galerias de Reitores de várias universidades.

1987
Um selo da sua autoria (“Quiosque Tivoli”) ganha, na World Government Stamp Printers Conference, em Washington, o prémio mundial para o melhor selo. Nova emissão de selos para os CTT (“Faróis da Costa Portuguesa”).
Exposição individual na Fundação Gulbenkian, Paris.
Edição do livro “29 Janelas de Maluda” (Edições António Homem Cardoso), com texto de José-Augusto França. Exposição individual e lançamento do livro na Galeria Barata, Lisboa.

1988
É editado o terceiro álbum sobre a obra de Maluda (Edições Bial) e feito o seu lançamento no Grémio Literário com apresentação de José-Augusto França.
Execução do selo “Évora Património Mundial” que, no ano seguinte, recebe em Périgaud (França) o prémio mundial para o melhor selo.
Colectiva de pintura “Artejo 88″ no Mosteiro dos Jerónimos e “80 anos de Arte Moderna” na Galeira da São Bento.

1989
Desenha o logótipo do “Estoril Open” de ténis (e, três anos mais tarde, o do “Portugal Open” de golfe).

1993
Carlos Zel grava o “Fado Maluda” (ed. BMG Portugal), com letra de Rosa Lobato de Faria.

1994
Recebe o prestigiado prémio de artes plásticas Bordalo Pinheiro, atribuído pela Casa da Imprensa.
No âmbito da “Lisboa Capital da Cultura”, realiza uma grande exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa, inaugurada pelo Primeiro-Ministro, Cavaco Silva.

1996
É editado o livro “Um Outro Olhar Sobre Portugal”, com reproduções da sua obra, texto de Agustina Bessa-Luís e fotografias de Pierre Rossolin (Ed. Asa).

1997
Pinta o retrato do Professor Victor Crespo para a galeria de Presidentes da Assembleia da República.

1998
Desenha 56 cartas para um baralho editado pela Kem.
É agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Ordem do Infante D. Henrique.
Inaugura a sua derradeira exposição “Os selos de Maluda”, patrocinada pela Administração dos CTT.

1999
Maluda morre em Lisboa aos 64 anos.